LOJA MONTARIA

Saturday, July 15, 2006

TTSSS...


EXTRA, EXTRA, EXTRA!


Sai o primeiro livro sobre pixação do mundo

Pixação*, pichação, vandalismo, arte de vanguarda, sujeira, legítima e autêntica estética de SP, escândalo, crime, os Gutenbergs da nova era imprimem suas marcas nos jardins suspensos da Babilônia paulistana...
Decifra ou eles te devoram!
Polícia!
Estado!
Atenção, vigiar, punir, direita, esquerda, volver!
EXTRA, EXTRA, EXTRA!!!
A Editora do Bispo orgulhosamente apresenta o primeiro livro sobre o assunto no mundo:
“TTSSS – a grande arte da pixação em São Paulo/Brasil”, edição bilíngüe, com textos, fotos e tipologia gráfica. A organização é de Boleta, um dos papas do gênero, com fotos de João Wainer e do próprio organizador. O livro traz ainda um pequeno ensaio da artista Pinky Wainer e uma crônica panfletária de Xico Sá.
“TTSSS”, que é o som do barulho do spray, vai ser lançado simultaneamente no Brasil e nas cidades de Berlin, Madrid, Paris, Londres e Nova York, lugares onde a pixação paulistana é objeto de culto e desejo.
A grande arte é pixação, o resto é grafite!

*A Editora do Bispo adotou a grafia “pixação”, como usada pelos pixadores _em vez de “pichação”, como manda a norma culta.

TTSSS – a grande arte da pixação em SP/Brasil
Org. Boleta
Edição bilíngüe
Págs: 152

O caos é lindo*

Por Pinky Wainer

Foi a partir de uma agenda do pixador Boleta, organizador desse volume e integrante da primeira geração do VÍCIO - uma das gangues mais ativas e antigas de São Paulo - que este livro veio ao mundo. No seu caderno “histórico”, iniciado em 1988 e concluído em 1998, ele reuniu, como é comum entre a moçada do pixo, assinaturas de grifes*, símbolos*, grapixos*, tags*, trow-ups*, stickers* e desenhos. É um documento que acompanha a evolução do pixo em SP.
Páginas dessa coleção de “autógrafos” foram aqui reproduzidas, na íntegra ou nos seus detalhes. Depois, vieram as fotos, que revelam como essa “pixografia” dá um sentido de caos e beleza ao se espraiar por todos os lugares e alturas da cidade.
A Editora do Bispo vê na pixação uma linguagem contemporânea do sec.XXI. Da agenda, decodificamos alfabetos, logotipias e traços que, vistos fora de seu contexto habitual revelam uma criação gráfica original e sofisticada.
“Ttsss” não pretende ser uma enciclopédia completa ou tratado geral da pixação, mas representa um importante apanhado de uma geração de jovens artistas, a maioria pertencente ao país dos excluídos, que fez e faz dos seus signos um dos fenômenos urbanos mais explessivos dos últimos tempos.
Pixadores e seus hieroglifos indecifráveis e trangressores são odiados, assustando os bem pensantes do banal. Nenhuma novidade. Desde sempre jovens vivem seus rituais de passagem usando os meios e a mídia de seu tempo. Gangues formadas por jovens agressivos, cheios de testosterona, sempre existiram - e assim será - vide Montéquios e Capuletos revistos em West Side Story, o Muro de Berlin e seus pixos maravilhosos preservados em livros de arte, ou maio de 68 em Paris, quando estudantes barbarizaram os muros da Sorbonne com pérolas como „É proibido proibir” “Fodam-se uns aos outros senão eles te fodem” “A anarquia sou eu”, “Não reclamaremos nada. Não pediremos nada. Tomaremos. Ocuparemos”. E mais e mais.
Deixo para profissionais a discussão acadêmica e policial. Antes que algum apressadinho veja no livro um louvor explícito ao “vandalismo” ou algo do gênero, é bom que se diga que à Editora do Bispo interessa, antes de tudo, o estudo e a documentação do fenômeno do que fazer apologia a qualquer tipo de crime ou suposto crime.
No século passado Andy Warhol dizia que no futuro todos teriam seus 15 minutos de fama. Agora que chegamos ao futuro tudo é consumido e descartado em duas edições de alguma revista semanal. Poucas são as formas de arte descompromissadas com o sonho da fama e da grana. O pixo começou assim. Espero que ao serem domados pelos poderes públicos e incorporados ao circuito oficial da arte –inevitável- esses meninos não percam a atitude e a noção de que só o que é coerente sobrevive.

Pinky Wainer

*``Chaos is beautiful” (Timothy Leary)

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